Além de encurtar distâncias entre os familiares e amigos,
a inclusão digital deixa o idoso atualizado,
e também traz benefícios à memória e à concentração
Quem pensa que os vovôs e vovós do século XXI estão satisfeitos em jogar dama ou ficar em casa tricotando está enganado, pois eles querem muito mais. A terceira idade agora busca entender e aprender sobre as tecnologias usadas pela nova geração. Utilizar o computador, por exemplo, era algo distante da realidade dos idosos, mas hoje já faz parte do diaa-dia de muitos. Eles não só aprendem a usar a máquina como também navegam
na internet e participam de redes sociais.
A terapeuta ocupacional e doutora em gerontologia biomédica Kayla Ximenes Palma, de São Paulo, explica que os idosos buscam se manter ativos com novos conhecimentos e aprendizados. “A informática é um recurso terapêutico muito usado na reabilitação e estimulação cognitiva dos idosos, pois enfoca vários aspectos como a atenção, a memória, a concentração e habilidades visomotoras. Além disso, mantém o idoso atualizado com o
mundo”, esclarece.
Pesquisa Revela: A internet pode ajudar na ativação de áreas cerebrais dos idosos.
O uso da internet pode fazer com que idosos trabalhem melhor a região da memória e tomada de decisões, além de ser mais uma importante aliada para que o idoso não perca a capacidade de raciocínio. Pesquisadores da Universidade da Califórnia realizaram um estudo com 24 voluntários, que tinham entre 55 e 78 anos. No estudo, foram divididos dois grupos, os novatos e os experientes.
Depois da experiência do primeiro contato com o computador, os voluntários foram submetidos à ressonância magnética. O resultado mostrou atividade nas áreas de linguagem, leitura, memória e capacidade visual dos dois grupos.
Nesta primeira ressonância os experientes obtiveram um trabalho ativo na região cerebral maior do que os novatos.
Os pesquisadores orientaram que os voluntários ficassem uma hora por dia no computador fazendo pesquisas, durante duas semanas.
Submetidos a uma segunda ressonância após essas duas semanas, os pesquisadores perceberam que além da região já movimentada com o primeiro contato do computador, agora a região frontal do cérebro também havia sido ativada. É essa região que controla a memória e a tomada de decisões.
Depois de um tempo os cientistas perceberam que a diferença entre os novatos e experientes diminuiu, deixando-as com extensão da área ativada quase igual.
Métodos muito utilizados como palavras cruzadas, quebra-cabeças e leituras de jornal podem ter o mesmo intuito que o uso da internet para idosos, impedir a demência e melhorar a capacidade de raciocínio.
Fonte: Jornal Nacional
Uso da Internet por idosos vem aumentando a cada ano
De acordo com levantamento de janeiro de 2002 do Ibope eRatings, 1,5% dos 6,3 milhões de internautas domésticos brasileiros têm mais de 65 anos. Nos EUA, terra natal da Internet, a porcentagem é ainda maior. Os idosos totalizam 7,01% dos 80,8 milhões de usuários domésticos. No Brasil, porém, os internautas da terceira idade permanecem mais tempo conectados que os norte-americanos. Os brasileiros ficam, em média, cinco horas e 58 minutos por mês, contra três horas e 40 minutos dos americanos. Esse índice é superior ao registrado na faixa etária de dois a 11 anos, em que os usuários passam, em média, três horas e 26 minutos conectados ao mês. A única vantagem que aquele grupo possui é a agilidade na aquisição de novos conhecimentos.
De acordo com a professora doutora da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), Yeda Aparecida de Oliveira Duarte, o cérebro humano saudável é capaz de absorver informações até morrer, mas, com o passar do tempo, ocorre um processo de lentificação no aprendizado. A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Tereza Bilton, diz também que "é claro que existem algumas limitações físicas como a visão e os movimentos. Porém, esses problemas são facilmente contornáveis. É só utilizar equipamentos mais adequados, como teclados e monitores maiores", explica. "Tenho muitos pacientes na faixa dos 80 anos que usam o computador e percebo que o aprendizado deles é sensacional. Essa atividade traz muitos benefícios às pessoas nessa idade, pois estimula o raciocínio, a percepção e a atenção, entre outros fatores".
O coordenador regional da área de geriatria da Associação Brasileira de Psiquiatria, Cássio Bottino concorda com Tereza. "Alguns estudos feitos nos EUA mostram que o envelhecimento dificulta a memória secundária, responsável por novos conhecimentos, mas essa dificuldade significa lentidão e não impossibilidade. Se houver estimulação e aplicação por parte do idoso, ele está apto a aprender informática, como para qualquer outra coisa", explica. "O uso do computador é aconselhável, pois desperta a atividade intelectual". A doutora Yeda, porém, observa que "existem alguns quadros patológicos que reduzem a capacidade de aprender. A depressão, por exemplo, reduz a concentração das pessoas e ela é muito comum entre idosos", explica. "Algumas situações sociais também podem diminuir o interesse de aprendizagem como o isolamento, a solidão, mas isso não é uma regra, há pessoas que vivem em asilos e continuam querendo aprender", diz a médica.